Recentemente recebi ideias de alguns leitores alegando em suma o preconceito sofrido diariamente por parte de alguns setores da sociedade acerca da rotina de um Agente Penitenciário, seja por alegações sobre corrupção ou pelo fato que torturam os presos e por ai vai.
Não é novidade alguma dizer que a Segurança Pública sempre foi um setor que por vezes é deixado em segundo plano na política brasileira e o sistema prisional principalmente não fica de fora, pelo contrário, se existe algo que familiares de presos e Servidores na área prisional concordam é que o sistema prisional é quebrado, não existe estrutura alguma para ninguém, infelizmente.
Para quem não conhece a rotina de uma unidade prisional e adentra as portas da mesma pela primeira vez, o choque é evidente, a primeira coisa que passa na cabeça de alguém é "o que estou fazendo aqui?", tudo começa pelo mal cheiro, pela falta de estrutura física, enfim é um ambiente absurdamente insalubre e periculoso, onde os Servidores ficam a qualquer momento sujeitos a uma tentativa de rebelião.
A rotina de um Agente Prisional começa na abdicação de diversos afazeres, por exemplo, aquela saidinha em bares, baladas, lugares onde possuem um público um pouco diferenciado deve ser abandonado ou então sua atenção deverá ser redobrada, tendo em vista a grande exposição diante a marginais que ocorre diariamente.
Nem preciso dizer do abandono que o Estado tem com as classes da segurança pública né? Com os Agentes Penitenciários esta realidade é ainda maior.
O stress é evidente, em uma pesquisa do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais ) a expectativa de um Agente Penitenciário é de 45 (quarenta e cinco anos) em São Paulo, e uma das razões é conforme foi muito bem apresentado no site do referido Instituto:
"As péssimas condições de infra-estrutura do sistema penitenciário nacional atingem não só os presos, como temos amplamente exposto, mas também os agentes penitenciários. É que mostra recente estudo realizado pelo Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a pesquisa, além da precariedade de ordem estrutural, a extensa jornada de trabalho e o estresse, decorrente da atividade laboral, contribuem para a baixa expectativa de vida dos Agentes de Segurança Penitenciária (ASP’s).
A pesquisa foi coordenada pelo psicólogo Arlindo da Silva Lourenço, que trabalha em penitenciárias masculinas do Estado de São Paulo e, entre 2000 e 2002, foi um dos responsáveis pela implementação de uma política de saúde dos trabalhadores, que acompanhou agentes vitimados em rebeliões.
De acordo com o pesquisador, muitos agentes sofrem, constantemente, pressões e ameaças que contribuem para a desorganização psicológica – cerca de 10% desses trabalhadores abandonam a atividade por motivos de saúde, geralmente, distúrbios psicológicos e psiquiátricos.
Ademais, a alta jornada de trabalho desses agentes (12 horas de trabalho e 36 horas de repouso), somada às más condições de trabalho nas penitenciárias e ao ressentimento dos agentes em relação à dificuldade de modificar o ambiente laboral, reflete em uma baixa expectativa de vida. Segundo o estudo, muitos morrem cedo, entre 40 e 45 anos, devido a uma série de problemas de saúde contraídos durante o exercício da função, como diabetes, hipertensão, ganho de peso, estresse e depressão.
Não é novidade, mas a carência de equipamentos materiais básicos cria condições que deterioram e empobrecem a pessoa. "As penitenciárias são repletas de ambientes úmidos e de iluminação insuficiente, de cadeiras sem encosto ou assento, e janelas de banheiros quebradas, elementos que comprometem o bem-estar e a privacidade de agentes e de sentenciados”.
Essas deficiências da (des)organização carcerária interferem diretamente na capacidade de ressocialização do indivíduo. Lourenço argumenta: “Como dizer para o detento que a vida pode ser diferente, o aprisionando em um ambiente insalubre, empobrecido, de miséria e desgraça?”.
O estudo aponta que a atual escassez de recursos não permite a execução do trabalho do agente penitenciário com decência, o que implica um não reconhecimento de sentido na profissão e, consequentemente, “em um não reconhecimento de sua função social e de sua existência”.
A resolução dos detalhes estruturais das instalações, tornando-as adequadas para o convívio, trabalho e permanência humana, já representaria uma grande diferença na qualidade de trabalho dos agentes e na reabilitação dos detentos, segundo o pesquisador. Contudo, essa situação pouco se modificará enquanto os agentes não perceberem a influência destes fatores em sua qualidade de vida.
Infelizmente, a situação tende permanecer como está, uma vez que as penitenciárias estão longe de ser uma prioridade entre as políticas públicas do Estado.
(EAH)"
Fonte: IBCCRIM
Tal realidade não vai apenas aos presídios do Estado de São Paulo, em todo Brasil vemos Unidades Prisionais caindo aos pedaços, é presente em quase todas a superlotação, o odor insuportável, o risco de contágio de doenças infecciosas, o esgoto em ambiente aberto, e diversos outros problemas.
Infelizmente é importante ressaltar que aqueles presídios muito bem montados nas propagandas políticas, aquela superestrutura, aquelas viaturas super novas que também são apresentadas, é uma realidade longe do que ocorre na maior parte das unidades prisionais em nosso país.
Um Agente de Segurança Penitenciária é tratado de forma preconceituosa em seu próprio trabalho e pelos governantes, em Uberlândia virou propaganda eleitoral a tão sonhada estrada de acesso a Unidade Penitenciária Pimenta da Veiga, são 5 (cinco) quilômetros de terra pesada que arrebentam qualquer veículo, sendo assim a jornada de trabalho dos Agentes aumentam de forma absurda, tendo em vista o horário que tem que sair de casa para contar com ônibus e se locomover para mais um dia de trabalho, que envolve um stress absurdo, pois, não podem se locomover com um automóvel particular, correndo o risco de ficar com o carro atolado em dias chuvosos ou até mesmo "arrebentar o carro" na estrada de chão com infinitas "costelas de vaca".
Muitos elogiam o salário de um profissional da área de segurança pública, realmente não é um salário que encontram em qualquer lugar, porém, são profissionais que estão ali para oferecer a vida e sua liberdade em troca da nossa segurança pessoal, sendo assim é evidente que mereciam muito mais.
São profissionais que abrem mão de muita coisa e por vezes enfrentam criminosos de alta periculosidade para colaborar com nossa segurança.
Tenho uma grande admiração por Policiais Militares, Civis e Federais, Bombeiros Civis e Militares, Seguranças, Agentes de Segurança Penitenciária, enfim, todos os Operadores da Segurança Pública em nosso país.
São grandes heróis que merecem valorização por seus trabalhos empenhados, e devemos ter expectativas, pois, se não houvesse corrupção a segurança pública seria de primeira em nosso país.
Devemos cobrar mais do que nunca de nossos governantes medidas que valorizem o trabalho destes grandes profissionais.
Veja abaixo algumas reportagens relacionadas a Agentes Penitenciários:
Eles estão ali diariamente atuando como heróis para proteger nossa liberdade.
Parabéns a vocês guerreiros.
Gostaria de deixar em homenagem esta postagem aos Agentes de Segurança Penitenciária mortos por marginais, principalmente ao Agente Edson Ferreira da Silva (Boxexa) de Uberlândia, assassinado covardemente por dois bandidos.
Deus está com vocês e a população apoia vocês.
Força e Honra.


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